Resenha CD: Opeth - Heritage

O Opeth com seu "death metal progressivo" (me dei conta que escrevi "melódico" um dia depois da resenha - sic) sempre se destacou pelos seus álbuns magníficos e sua constância de, apesar de modificar sua temática de álbum pra álbum - assim tornando sua discografia um apanhado interessantíssimo de "grandes obras" -, manter uma qualidade sempre altíssima de composições. "Blackwater Park" e "Ghost Reveries" não me deixam mentir e são dois ótimos exemplos. Os dois tem "pegadas" diferentes, mas tanto um como o outro conseguem surpreender e cativar o ouvinte de forma que chega a ser embasbacante. Mike Portnoy (agora o baterista arroz de festa) que o diga também.

Três anos se passaram desde o seu último álbum de estúdio, o excelente "Watershed", e a banda volta com "Heritage" em 2011. E o que se vê aqui é que a veia progressiva e o lado experimental da banda, tal qual foi seu álbum semi-acústico "Damnation", estão mais fortes do que nunca. Todo o álbum mostra isso de forma evidente. Porém, mantendo a constância de sempre de sua discografia, o resultado é belíssimo e a audição nada é menos que agradabillíssima.

Os vocais guturais foram completamente abandonados e as pesadas guitarras foram abrandadas. Os teclados, a bateria de Martin Axenrot, as passagens acústicas já conhecidas da banda, e as já citadas guitarras com seus solos belíssimos e muito sentimento empregado de Fredrik Akesson e do também vocalista, Mikeal Akerfeldt, dão todo aquele climão progressivo e toda aquela influência de prog setentista. Tudo isso acompanhados por diversos instrumentos como piano, mellotron (teclado polifônico), flauta e percussão, sempre com vocais belíssimos e dramaticidade nas composições de Akerfeldt que permeiam por todo o álbum.

Destaques vão para a já conhecida anteriormente "The Devil's Orchard", a de belíssimo dedilhado no violão e de desfecho dramático "I Feel The Dark", a "Slither" com seu climão setentista, e a mais que progressiva "Nepenthe". A mixagem mais uma vez foi entregue a Steven Wilson, vocalista do Porcupine Tree, e a exemplo do álbum "Blackwater Park", ela é excelente deixando todos os instrumentos audíveis, o que é fundamental nesse álbum.

"Heritage" não é recomendado para quem está curioso por conhecer o Opeth, pelo contrário, sua audição enganará essas pessoas sobre a tradicional musicalidade da banda, digamos assim. Agora, se você é fã de Opeth como eu, poderá até estranhar de primeira e não gostar (apesar de saber desse lado experimental latente da banda), e que Opeth não é Opeth sem vocais guturais. Mas a medida que se vai apertando o repeat, "Heritage" se mostra nas riquezas de seus detalhes, e que sua audição entrega de bandeja todas as influências dos integrantes, mostrando quão rica e distinta musicalmente a banda é. É um álbum recomendado a quem curte boa música acima de tudo, então xiitas de mente fechada, caiam fora.

Como diria o vocalista Mikael Akerfeldt:

"Eu não vejo o ponto de tocar em uma banda e ir apenas de uma maneira, quando você pode fazer tudo. Seria impossível para nós tocar apenas death metal, que é a nossa raíz, mas agora estamos com uma mistura de tudo, e não os puristas de qualquer forma de música. É impossível para nós fazer isso, e, francamente, eu pensaria que é tão chato estar em uma banda que toca apenas músicas de metal. Nós não temos medo de experimentar, ou de poder ser pego com as calças para baixo, por assim dizer. Isso é o que nos mantém indo."

Pode até não ser um dos melhores lançamentos do Opeth, e na minha opinião, não é. Mas como comparar esse álbum a outros da sua discografia, se ele é tão distinto do resto? Portanto dê uma chance, quem gosta de "viajar" com um álbum, comece por aqui.

Tracklist:

1. "Heritage" 2:05
2. "The Devil's Orchard" 6:40
3. "I Feel the Dark" 6:40
4. "Slither" 4:03
5. "Nepenthe" 5:40
6. "Häxprocess" 6:57
7. "Famine" 8:32
8. "The Lines in My Hand" 3:49
9. "Folklore" 8:19
10. "Marrow of the Earth" 4:19
11. "Pyre" (bonus track) 5:32
12. "Face in the Snow" (bonus track)

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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