Resenha Filme: Pulp Fiction - Tempo de Violência

domingo, janeiro 22, 2012

Pulp: São revistas de papel de baixa qualidade com histórias se tratando geralmente de fantasia e ficção cientifica, termo feito para descrever histórias de qualidade menor ou absurdas, e termo que Tarantino usou para nomear seu filme: "Pulp Fiction". - Fonte: Wikipédia

Essa é uma resenha difícil de fazer, talvez a mais difícil que já me propus a escrever. Não que o filme em questão não seja bom o suficiente para eu rasgar elogios em incontáveis linhas, não mesmo, pois no caso de "Pulp Fiction" é exatamente o contrário, o filme é magnifico. Mas manja aquele momento em que depois de você assistir um dos seus melhores filmes da sua vida, você não tem palavras para descrevê-lo? Melhor... Palavras surgem, mas surgem de forma desconexa o suficiente para você não produzir uma crítica concisa o suficiente para recomendá-lo a um amigo. Ai assim, se é obrigado a ser extremamente sincero, e enrolar o seu leitor por um parágrafo inteiro como fiz agora.

Referências a cultura pop, violência, ironia, diálogos surpreendentes... "Pulp Fiction" mudou a história do cinema e se tornou um dos melhores filmes de todos os tempos. Reviveu artistas como John Travolta e Uma Thurman, mas mais que isso transformou Quentin Tarantino num ícone a ser seguido, assim como os diretores da qual ele é fã, como Brian de Palma, Alfred Hitchcock, Martin Scorsese e tantos outros.

"Pulp Fiction" narra três histórias diferentes e entrelaçadas, sobre dois assassinos profissionais que são Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent Vega (John Travolta), um gângster que os chefia Marsellus Wallace (Ving Rhames) sua esposa Uma Thurman (Mia Wallace), um pugilista pago por esse mesmo gângster para perder suas lutas Butch (Bruce Willis), e um prólogo de um casal assaltando um restaurante Pumpkin (Tim Roth) e Honey Bunny (Amanda Plummer) na Los Angeles dos anos 90. O tempo É de violência.

Carregado de diálogos e monólogos e cheio de cenas de ironia e senso de humor, que como disse na resenha que fiz para o filme "Cães de Aluguel", transportam o espectador para uma conversa quase que cara-a-cara com Tarantino através dos seus atores. A propósito, além de "Pulp Fiction" ser carregado de referências a cultura pop como todo filme de Tarantino, ele também é cheio de referências a outros filmes dele próprio. Claro que isso pode ser apenas um delírio conspiratório, mas é uma tarefa divertidíssima os procurar e notar. Por exemplo o modo que Jules e Vincent Vega se vestem, o nome Vega, a maleta que eles carregam durante todo o filme e a cara do Pumpkin quando vê seu conteúdo no final, a espada que Butch usa, o livro que ele lê toda vez que entra no banheiro... Assistam "Cães de Aluguel", "Pulp Fiction", "Modesty Blaise" e "Kill Bill" que você entenderá do que estou falando.

Tradicionalmente não contando as histórias de forma cronológica e tendo o talento quase que único de  prender o espectador em frente a tela, Tarantino nos surpreende de forma genial ao longo do filme contando como essas histórias se entrelaçam. É como um chef que está separando seus ingredientes para preparar seu prato principal. Tarantino dividindo seu filme em capítulos (sua marca registrada), e contando várias histórias de um "tempo de violência", é um escritor redigindo seu melhor best-seller. Desafiador, corajoso e genial.

Saca aquilo que contei no início de: "as ideias surgirem a mente, mas de forma desconexa o suficiente para não produzir uma resenha"? Bom, no final até me surpreendi e consegui esse objetivo. Mas tal qual como Tarantino faz em seus filmes, nos contando histórias em capítulos de forma não cronológica; ele enrolou minha mente e torci para sair algo no meio da euforia. Não contei o filme, porém como ele faz em seus filmes, redigi a resenha como se fosse uma conversa cara-a-cara contigo, o recomendando e o elogiando a todo o tempo.

Cultura pop faz bem, e Tarantino mais do que fazer parte dela, moldou a sua.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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