Resenha CD: Deftones - Koi No Yukan

O espaço de tempo que inclui o fim da de´cada de 90 e o começo dos anos 2000 são abominadas pelos (trües) fãs de heavy metal (e até os anos de hoje), tudo por um estilo que abrangia um tom de guitarra mais baixo, vocais esquisitos e uma bateria mais ritmada, o malfadado Nu Metal. 

Como o tal "grunge", se formos ver mais a fundo, as principais bandas do gênero se diferem muito, e tendo uma característica mínima que seja foi o suficiente para se enquadrar nesse estilo; que era um som sujo e pesado, calcado no punk e com um pé no alternativo. Deixando claro, não estou comparando um estilo ao outro (tanto que a qualidade geral é diferente) - antes que os mais desavisados reclamem -, mas os comparo como "movimentos".

Soundgarden, Alice In Chains, Nirvana, Stone Temple Pilots e Soundgarden - só para citar algumas -, eram bem diferentes entre si. Tinham uma característica em comum, mas tinham pegadas e sons diferentes, e talvez isso era o principal atrativo delas. Os anos se passaram e veio o Nu Metal com a mesma característica. Korn, Deftones, Coal Chamber, Limp Bizkit, Papa Roach, Linkin Park, e até Disturbed são bandas diferentes entre si e a qualidade delas segue a mesma linha. Sou até hoje um crítico da qualidade duvidosa das bandas do gênero, que deixou de ser underground a muito tempo dando voz a adolescentes revoltados da época, mas ao contrário de antes abri minha cabeça para novos sons e diversidade dentro do heavy metal, e assim entendi que até o Nu Metal contribuiu para o estilo como um todo. Se torço o nariz pra maioria, admiro a qualidade de algumas, caso de Disturbed e Deftones que é a banda que vamos falar na resenha.

Pra começar rotular a banda de Nu Metal é um engano, é como rotular o System Of a Down da mesma coisa pra ser sincero. O som é tão mais rico que simples guitarras e batidas de um baterista e DJ que é heresia chamar só disso, vale escutar o som pra apreciar mais a fundo o que o Deftones apresenta. Para começar o DJ está longe de fazer os tais scratches que arrepiam os longos (ou curtos) cabelos de quem curte um heavy metal tradicional, ao contrário do que se via e odiava num Linkin Park e Limp Bizkit, o DJ é uma peça a mais na música. O resultado que se vê é algo discreto, é como se fosse um teclado ambientando as guitarras, só que com muito mais possibilidades. Ouro ponto positivo são as guitarras, ao contrário do que se vê num Korn em que o vocal sobressai muito mais, aqui podemos ouvir o barulho pesado delas de verdade.

Falando do mais novo álbum "Koi No Yukan", a qualidade já vista desde Saturday Night Wrist e que deu um salto em Diamond Eyes, surpreendentemente continua em franca evolução. Vemos cada vez mais uma banda com uma cara única, tanto num lado mais agressivo, tanto como no seu conhecido lado melodioso. 

Com um heavy metal moderno não deixando para trás a qualidade e a originalidade, mesclando peso e melodia, a banda cai no delicioso rótulo impossível de se precisar. Ao longo de suas 11 faixas a produção do álbum deixou o peso a voz de Chino límpidas na medida certa do que a banda precisa. Com ótimos refrões e uma "dinâmica" maior nas composições das músicas, os destaques vão para as ótimas "Swerve City" (começando o álbum com tudo), "Leathers", "Graphic Nature", "Gauze" e "Tempest".

Para encerrar o ano em grande estilo "Koi No Yukan" (em japonês aproximadamente "premonição do amor") é o ponto alto da carreira do Deftones na minha opinião, mas o Deftones como um todo é recomendadíssimo pra quem é mente aberta pra procurar novos sons dentro do metal e mais que isso, deixar pra trás preconceitos de certos rótulos. 

Tracklist

1. "Swerve City" 2:44
2. "Romantic Dreams" 4:38
3. "Leathers" 4:08
4. "Poltergeist" 3:31
5. "Entombed" 4:59
6. "Graphic Nature" 4:31
7. "Tempest" 6:05
8. "Gauze" 4:41
9. "Rosemary" 6:53
10. "Goon Squad" 5:40
11. "What Happened to You?" 3:53

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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