Resenha CD: Muse - The 2nd Law

Nesse mundo cheio de pessoa insossas e de bandas insossas - já que consequentemente elas são formadas pelos seres humanos insossos -, uma se destaca entre a multidão e vem cada vez mais conquistando o espaço que lhe é merecido como uma das maiores bandas do mundo da música atualmente, e falamos de MÚSICA.

Falamos do Muse que voltou esse ano com "The 2nd Law" continuando o trabalho que foi visto em "The Resistance" lançado dois anos antes, o de "ópera rock". Claro que rotular o Muse de forma específica soa injusto, mas talvez esse é o que mais se encaixe com a banda. A mistura de sons, abordagens diversas e a forma em que cada música toca o ouvinte de forma diferente são impressionantes, e superam "The Resistance" com folga.

Passando pelo single de bom gosto "Madness", a faixa em que é contínua em diversos trabalhos, só escutar "Starlight" do Absolution de 2004, "Black Holes and Revelations" do álbum homônimo de 2006 e "Undiscloses Desires" de "The Resistance" de 2009 com o tão famoso estilo dubstep (de bom gosto) ditando a música. Dos clássicos da abertura com "Supremacy" e da primeira parte de "The 2nd Law": Unsustainable" que mistura tudo ainda mais?. Do pop eletrônico de "Follow Me"; do funk rock de muito bom gosto de "Panic Station" (quem lembrou de Stevie Wonder?), da ritmada "Survival" que foi tema das Olimpíadas de 2012 e de claras influências de Queen, e da calmaria de "Save Me". O álbum vai passeando de forma leve e natural e é difícil não escutar mais de uma vez, só para citar alguns momentos.

O vocalista Matthew Bellamy disse em entrevista antes do lançamento do álbum, que "The 2nd Law" seria mais "pessoal" e mais apropriado para shows pequenos ao contrário das últimas turnês do grupo em estádios e grandes arenas; e essa é uma boa definição do que ouvimos. Se desde "Black Holes and Revelations"- o melhor play da banda -, a banda na sua competente megalomania vinha tornando seus álbuns e seus shows cada vez mais grandiosos, em "The 2nd Law" temos aquela sensação de ter que ouvir o álbum ao caminhar com o seu MP3 ou dirigir mesmo (lentamente) através da Marginal. É para ser apreciado com paciência, ao final o resultado não decepciona.

Deixei claro aqui que não se superou "Black Holes and Revelations" como melhor álbum da banda. Entretanto eu pergunto: como este poderia ser superado já que ele e "The 2nd Law" são tão diferentes em suas propostas? Pra falar a verdade sinto falta das guitarras pesadas e construção mais simples e agressiva de "Absolution", mas "The 2nd Law superou todas as minhas expectativas do que a banda poderia fazer assumindo seu lado mais alternativo.

Talvez o maior mérito do Muse esteja em ser inquieto, hoje é simples repetir a mesma fórmula, afinal, não há muita concorrência, não temos bandas que chegam e almejam marcar seu nome no mundo da música sem ser por um simples álbum ou um velho single que faça parte daquelas retrospectivas do "melhor da década". Seja questionável ou não, cada um tem seu gosto pela música que lhe agrada, mas é de se reconhecer que o Muse principalmente depois do sucesso estrondoso de "Black Holes and Revelations" poderia ficar acomodado em seu cantinho e em sua fórmula, mas pelo contrário, a mente de Matthew Bellamy é como a sua forma de tocar guitarra, se reinventa.

Baita álbum, e tarde pude ouvi-lo com mais calma, já que o mesmo foi lançado meses atrás. Estamos no finalzinho do ano e que grata surpresa (?), não, vamos dizer que já era de se esperar.

Tracklist:

1. "Supremacy" 4:55
2. "Madness" 4:39
3. "Panic Station" 3:03
4. "Prelude" 1:03
5. "Survival" 4:17
6. "Follow Me" 3:51
7. "Animals" 4:23
8. "Explorers" 5:48
9. "Big Freeze" 4:41
10. "Save Me" 5:09
11. "Liquid State" 3:03
12. "The 2nd Law: Unsustainable" 3:48
13. "The 2nd Law: Isolated System" 4:59

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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