Resenha Game: Sleeping Dogs (Xbox 360)

terça-feira, dezembro 10, 2013

Originalmente anunciado em 2009 como o terceiro capítulo da série True Crime com o codinome Hong Kong, o game foi cancelado em 2011 pela Activision pelo seu orçamento elevado e inúmeros atrasos. Porém como boas ideias não devem ser jogadas fora, a Square Enix, eternamente marcada pelo seus jogos de RPG, lançou Sleeping Dogs em 2012. Mesmo game, porém com o nome alterado, pois a Square não conseguiu os direitos do nome True Crime.

A principal base de Sleeping Dogs é o pai de todos os jogos de mundo aberto: Grand Theft Auto. Sinceramente nunca fui fã desses jogos, e sinceramente também, não sei exatamente o porque. Salvo o lendário Driver 2 do finado PS1, não me recordo de ter jogado para finalizar nenhum game com a mesma temática, não sei, talvez prefira os jogos mais lineares por uma "preguiça" de vagar... ou mesmo vergonha na cara. Contudo, pela minha ignorância, acho que tenho aversão pelo game pela própria moda. Não há outro game mais falado em todos os segmentos da sociedade como o GTA. Como outro exemplo mercadológico e de auto-reciclagem, chamado Assassin's Creed, tanto ele como GTA não fazem meu tipo; os acho maçantes e ponto. Especificamente, o GTA apenas realizou os sonhos daqueles que sonhavam em realizar tudo que é sujo e contra a lei no mundo real, fazendo a alegria dos moleques que ainda vão em lan-houses só para fazer as side-missions do jogo, ou nem isso.

Obviamente, reconheço também que GTA estabeleceu conceitos definitivos do que deveria ser feito para esse tipo de gênero. Contudo, Sleeping Dogs consegue agradar a gregos e troianos sem exageros, sendo mais direto que seu parente. Mas vamos a história primeiro:

Sinopse

A trama do game acompanha um jovem policial chinês chamado Wei Shen que foi recrutado para uma missão nada confortável: se infiltrar no tríade criminosa de Sun On Yee (inspirado na verdadeira tríade Sun Yee On), na esperança de entregar seus chefes para a polícia e desmantelar o grupo por dentro. Porém, manter o foco policial não é nada fácil, já que Wei vivendo nesse ambiente passou a ter uma afinidade com a máfia que era inevitável não ter.

A tríade que Wei se infiltra tem todo aquele clima de Poderoso Chefão, ápice de qualquer máfia retratada; lá Wei aprende os valores da lealdade, do respeito e da dignidade, o que consequentemente fez Wei aprender a ver o lado bom de suas novas relações. Brincando com estes dilemas morais entre fazer o que é o certo e o que deve ser o certo, colocando a lealdade de Wei em xeque a todo momento com a polícia.

Se por outro lado, o lance de policial infiltrado acaba sendo batido; a história funciona muito bem, é empolgante, e conta com personagens densos e interessantes. As longas cutscenes bem explicadas dão aquele tom cinematográfico que a história pede, nos fazendo envolver ainda mais no jogo para saber o que vai acontecer após aquela missão. Apesar de não contar com legendas em português (ainda não estávamos no tempo de localização regional de hoje em dia), as cutscenes prendem a atenção do jogador, logo, me foram suficientes para entender a história.

Bem vindo a Hong Kong

Dividida em quatro distritos: Aberdeen, North Point, Central e Kennedy Town. Se a Square Enix não retrata Hong Kong de forma realista, faz o possível para brindar o jogador da melhor experiência naquela cidade. Não temos algo gigantesco como em GTA, o que na verdade nem é necessário, pois já assim a cidade é cheia de possibilidades, todas úteis para alguma coisa. Como entrar em rachas, comer aqueles churrasquinhos esquisitos chineses de rua, limpar a barra para algum comparsa, ou mesmo entrar em casas de massagem para ter ou não um final feliz. Já nas side-quests mais policiais, cabe a você desmantelar um ponto de drogas, plantar escutas em locais estratégicos ou hackear câmeras para avisar a polícia no momento em que o contrabandista aparecer. Há ainda rinhas de galo e clubes da luta!


Apesar de seu lado "chatinho", o mais legal de se ver é que no jogo há mini games dentro dessas missões, em outras palavras, realmente você tem que se esforçar para abrir uma porta, uma urna, hackear algum sistema ou mesmo localizar o sinal de um celular de algum cara. 

Há duas barras de XP a se preencher no jogo, a triad XP e a police XP. Naturalmente tendemos mais pela primeira mesmo que tentemos caprichosamente cumprir os dois lados, não só pela triad XP fornecer habilidades de luta, ao meu ver mais necessárias ao andamento do game, como pelo próprio fato de o game infelizmente não lhe dar a opção de dois finais. Algo que não me incomodou, mas achei bem estranho. Já que a falta disso não te motiva em nada a ser bonzinho no jogo, te fazendo pouco se importar nos "police points" que aumentam seu XP e suas habilidades com armas de fogo. Por fim, a XP Face te dá melhor recuperação de energia e mais força em seus golpes.

Belos gráficos e a mesma receita de sempre

O lado cinematográfico impera não só nas suas cutscenes, mas como em seus gráficos na retratação da cidade, e nas lutas corpo-a-corpo baseadíssimas na simples e intuitiva base de ataque e contra-ataque da série Batman Arkham, porém muito mais doloridas que do cujo game do Homem-Morcego. Se ele se contenta em deixar homens desacordados, Wei Shen não tem nenhuma piedade em quebrar membros e dar verdadeiros fatalities da melhor forma possível. Cada golpe dado dá a impressão de doer mesmo em que estão jogando, e os tais fatalities são baseados em finalizações na interação com o cenário, onde Wei pode usar moedores de carne, ganchos de açougue, espinhos, latas de lixo, exaustores para finalizar seus adversários de forma mais rápida. Entretanto um defeito do game é que os adversários de Wei na briga tem o braço quebrado e voltam a luta como se nada tivesse acontecido, felizmente isso não acontece nas finalizações com as interações com o cenário, já que seria algo muito bizarro para passar desapercebido.

O lado cinematográfico do game também aparece nos tiroteios nas perseguições de carro, em que um tiro no pneu é o suficiente para ver o carro girar em um belo efeito de câmera lenta. É nesses tiroteios que Sleeping Dogs se baseia muito em Max Payne, que imortalizou os bullets-time nos games. Não só nessas perseguições, mas como nos tiroteios a pé que se baseiam naquele velho esquema de se escorar, esperar um momento e atirar (headshots dão pontos adicionais). Obviamente Sleeping Dogs não é um jogo de tiro, mas carregar mais de uma arma seria útil, já que em certo momento lá pro final, tem uma hora que você aparece carregando uma machete fodástica, mas se vê obrigado a largá-la no meio do caminho pra pegar uma "metranca". Fiquei com pena na hora. Também temos perseguições a pé aqui, e como devem ser, elas são bem simples, bastando um apertar de botão para pular caixas e desviar de obstáculos.

O lado pra se lamentar é nas expressões faciais. O game apresenta belíssimas cutscenes, mas as expressões principalmente dos personagens que não são principais são meio "plásticas", e nessa geração cansamos de ver trabalhos melhores em outros games. Outro ponto fraco é a polícia que é muito estúpida, não sendo preciso de muito esforço para despistá-los pela cidade.

Coletáveis

De início você tem uma moto e sempre ela aonde você estiver na cidade, assim como os carros que você conquistar. A jogabilidade nos carros não é genial e se limita ao necessário, indo de uma velocidade maior ou menor e uma melhor direção. É possível roubar qualquer carro, até ônibus se quiser, e no caso de um taxi, ele te levar a um ponto específico no mapa quando você estiver com muita preguiça de dirigir. Os possantes só ganham uma diversidade de modelos quando em rachas ao velho estilo de Need For Speed, premiam o jogador com um carro ao ganhar algum racha. 

Nas lojas é possível comprar roupas novas e o game salva aquelas de fases chave do game, como o smoking ensaguentado do casamento. É também possível achar roupas nas caixas espalhadas pela cidade, como a roupa tradicional do Bruce Lee e que a Beatrix Kiddo também usou em Kill Bill. Não se preocupe que elas são fáceis de se localizar, pois elas tem um brilho intenso, mas é preciso andar muito por aí para localizar todas em todos os distritos. Assim como os pontos em que Wei acende um insenso e reza para ganhar mais um pouco de HP. Para aprender novos golpes vá a academia do mestre de Wei, mas com uma condição, para cada estátua roubada que você achar pelo game te dará a oportunidade de aprender mais um golpe. São 12 estátuas no total, facilmente recolhi umas 9 ao longo da campanha, mas com um pouco mais de esforço você consegue todas.

Trilha Sonora

Como não poderia faltar em um game desse gênero, quando você entra em um carro começa a tocar alguma música aleatória. Porem, não é possível escolher as estações que você quer escutar e nem há aquelas com conteúdo jornalistico. Confesso que eu não dou atenção a esses detalhes. Preferi notar a diversidade espantosa que o game apresenta em sua trilha sonora, indo de Beethoven a Machine Head e Opeth, até a músicas tradicionais chinesas e ao hip-hop do país.

Conclusão

Se por um lado a falta de inovação é aparente e as sequências se multiplicam, fazendo o jogador também abaixar seu nível de exigência, Sleeping Dogs no final das contas é um ótimo game e vale muito a pena joga-lo. O game não reinventa a roda, mas diverte bastante mesclando diversas referências de outros games, Com um roteiro envolvente, apresentando o incansável Wei Shen na sua missão de se infiltrar na mais perigosa tríade de Hong Kong, te fazendo jogar mais e mais para ver o que acontecerá na próxima missão. Sleeping Dogs tem tudo para ser uma ótima nova franquia; e com as consequentes melhorias, suficiente para rivalizar de igual pra igual com seu pai GTA.

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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