Resenha Cinema: A Casa dos Mortos

"Filmes de terror não assustam mais". Acredito que essa frase padrão dos críticos de cinema não se aplica bem a atmosfera que os filmes desse gênero tem que ter.

A lenda do rock Vincent Furnier ou simplesmente Alice Cooper, se notabilizou na década de por unir o rock n' roll a performance de palco. Não era simplesmente tocar suas composições, ele precisava chocar o público e encenar em cima das suas letras obscenas e sangrentas. Alice é uma referência até hoje por isso. E voltando a falar de hoje em dia, recentemente ele declarou: "as pessoas não se chocam mais". Fazendo uma ligação direta com os filmes de terror: "as pessoas não se assustam mais".

Filmes de terror precisam ser cada vez mais criativos nesse tempo em que "as pessoas não se chocam mais" após as inúmeras mortes de Jason, Freddy e Micheal Myers. Para mim o clima de tensão tem que se sobrepor aos meros sustos. Sustos a gente toma até ao ver a sua mãe na cozinha com a luz apagada. Penso que um bom roteiro (e inúmeras sequências) é necessário para prender a atenção desse tipo de público.

O talentoso produtor e diretor James Wan nos últimos tempos foi o único (se tiver outros, me ajudem) que se notabilizou por filmes de terror que deram ótimo resultado tanto de público e também de crítica. Como o elogiado "A Invocação do Mal" de 2013 - que recentemente originou um derivado a chamado "Annabelle" (esse somente como produtor), e "Insidious" ou "Sobrenatural" de 2011 que ganhou uma sequência três anos depois. Em comum, os longas foram de investimento baixíssimo e de absurdo retorno financeiro o que faz brilhar os olhinhos dos produtores de Hollywood. Mas foi o primeiro "Jogos Mortais" em 2004 que marcou e transformou em ícone o sádico Jigsaw - algo que não se via há tempos - e notabilizou James Wan como mestre do gênero.

Em 2015, o thriller "A Casa dos Mortos" que recentemente estreou aqui nos cinemas aqui do Brasil tem a chamada no pôster: "da assombrosa mente de James Wan", mas não é preciso muita pesquisa para descobrir que a direção é na verdade de Will Canon. Algo que me faz pensar que o nome de Wan foi usado para atrair ainda mais público, usando daquele espírito das fitas VHS dos anos 80 que volta e meia alardeavam a produção de Steven Spielberg, mas onde no máximo ele só mandava dinheiro pra produção e nada mais.

Bom, como qualquer filme de terror a premissa é bem simples: Cinco amigos decidem sair à caça de fantasmas em uma casa abandonada que fora famosa por protagonizar um massacre décadas antes, mas após um ritual, eles misteriosamente acabam sendo brutalmente assassinados. O único sobrevivente dos cinco garotos, John (Dustin Milligan) é interrogado e diz que o local está possuído por demônios e serve como um portal para o inferno. O policial Mark Lewis (Frank Grillo) e a psicóloga Dra. Elizabeth Klein (Maria Bello) não acreditam nessa história e passam a investigar o caso.

Alternando entre momentos das "cenas encontradas", que foram gravadas pelos jovens enquanto passeavam pela casa "mal-assombrada" com o foco da investigação feita por Mark e Elizabeth. Diria que nos momentos em que presenciamos o que realmente aconteceu com os jovens dentro da casa, o longa prende bem a atenção, principalmente pelo clima de mistério sobre quem é realmente o assassino e na revelação do porque aconteceu o massacre - algo que deu o verdadeiro sentido da casa no título do filme porque até ali era apenas uma casa dita mal-assombrada. Apesar do bom clima de tensão e de o filme ser bem agradável, não forçando sustos e unindo o suspense ao terror, penso que Will Canon falhou justamente nisso: na falta dos próprios sustos. Somente a escuridão e o mistério causaram tensão. Salvo um ser saindo debaixo da cama, em nenhum momento o longa proporcionou a mim um verdadeiro pulo da cadeira. Posso ser corajoso demais, mas penso esse artifício poderia ter sido melhor durante a visita dos jovens a casa, pois como disse, até o desfecho final a casa era apenas dita mal-assombrada.

No geral, o longa é um filme nada, caso daquele filme em que o trailer chama mais a atenção do que o produto completo. Não vou ficar lembrando dele daqui a alguns anos, mas foi marcante o suficiente para recomendar a alguém que quer vê-lo em uma sessão pipoca em sua humilde casa; pois além de ele ser acima de outros filmes do gênero de baixo orçamento, ele "enterrou" a péssima experiência que tive com os "Atividades Paranormais" da vida (sendo que no último fui convencido a assistir pela minha namorada e pela falta de opções no cinema na época).

Entre tantas coisas que eu penso, na verdade, não tem nada melhor na vida do que meus heróis, um bom rock n' roll, cerveja, fritas, e um bom papo com uma boa companhia.

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