Resenha Cinema: Deadpool


Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um ex-militar e mercenário que é contratado para fazer pequenos serviços, tipo, sabe aquele cara que você odeia ou aquele(a) ex que você quer simplesmente se ver livre? Wade é o cara babaca que adora uma pizza a quem você deve chamar. Entre esses pequenos trabalhos Wade conhece a sensual prostituta Vanessa Carlysle (Morena Baccarin) que atraída pelo estilo desbocado de Wade se apaixona e tem um caso (bem quente) com ele, mas como o filme não é um romance água com açúcar (por mais que um trailer bem canalha tenha focado nisso), Wade acaba desmaiando e descobrindo que tem câncer, não só um, mas três em estado terminal. 

Todo fodido e praticamente morto, Wade vai ao bar de seu melhor amigo Jack Hammer (T.J. Miller) e encontra um cara bem estranho que lhe oferece um tratamento para seu câncer em uma sinistra experiência cientifica chefiada por Francis Freeman ou Ajax (Ed Skein) que acaba não só curando seu câncer mas lhe proporcionando mutações como alta capacidade de regeneração e também lhe fazendo parecer um abacate velho com uns parafusos a menos. Então ele adota o alter-ego de "Deadpool" para caçar o responsável que acabou com sua pele e o afastou de quem mais ele ama. Basicamente, o filme se resume a este último parágrafo.

Uma das grandes reclamações que o universo tem em relação aos filmes é a sua falta de roteiro. Tipo ai do Bryan Singer, do Zack Snyder e dos irmãos Russo em errar a mão na direção e entregar nas mãos erradas esse detalhe crucial, mas em "Deadpool" isso não afeta nem um pouco a experiência, porquê? Calma que vou explicar.

Como Hugh Jackman e Robert Downey Jr. são Wolverine e Homem de Ferro respectivamente, Ryan Reynolds se tornou o Deadpool. Simples assim. Impossível ver outro cara no traje do herói (putz), desculpa, personagem. 

A verdade é que o cara só se fodeu quando foi escalado em Hollywood para encarnar papeis de super-heróis como o Lanterna Verde e o próprio Deadpool. No primeiro caso o senso de humor de Ryan nunca iria casar com o jeito de ser do Lanterna, mas a Warner botou fé e foi a cagada que foi; e no segundo caso a Fox acreditou tão cegamente no filme solo do Wolverine que acreditou que as pessoas não iriam notar direito a participação do Deadpool em seu escroto traje e totalmente descaracterizado no pior cosplay já feito, ledo engano.

Mas voltando a falar do longa especificamente, para mim o grande e honroso mérito de "Deadpool" é não se levar a sério em nenhum momento, e não é somente a força do personagem que é famoso por zoar de tudo e todos que fez o filme ser o que é, mas sim a grande vontade de um homem chamado Ryan Reynolds em levar o cerne do personagem à telona. Foi graças a sem vergonhice e insistência pentelha de Ryan na orelha da Fox chegando ao ponto de vazar um vídeo mostrando trechos dos testes do Deadpool, que o povo da internê abraçou a ideia junto com ele e praticamente pressionou a Fox a abraçar o plano maléfico de Ryan pra dar vida a um personagem que era realmente a sua cara (e aplausos) retratando toda a sanguinolência que o personagem tinha nos quadrinhos. Sim, você menor de idade não podia ver e graças a Odin foi assim, com peitos, bundas e tripas para todo lado.

Orçado com a merreca de US$ 58 milhões, dirigido por Tim Miller, produzido por Ryan Reynolds e estrelado por ele com muito suor na cara, "Deadpool" desde sua cena de abertura que não tem vergonha alguma de dizer quão o filme é clichê e é justamente aí que você abre o sorriso e se entrega esquecendo de qualquer furo ou detalhe absurdo que possa aparecer - como tipo a cena final que deu pra notar claramente que faltou uma graninha pra finalizar o trampo. Bom, mais uma piada pronta né? =D

E falando em piadas, é uma sequência alucinante em que vezes acerta e outras não, assim como o non-sense é conhecido por ser. Bom, desde Ryan fazendo piadas com seu talento pra atuar, pedindo para não lhe darem um traje verde e não lhe costurarem a boca, até as piadas com a falta de dinheiro do filme que não fizeram ele chamar X-Men melhores para aparecer com ele; o longa faz piada de absolutamente tudo, dele mesmo e até de você. Que o diga o Capitão Bandeiroso e o Ajax!

Aliás uma coisa bem legal aqui é a química dos personagens e como todos eles interagem sempre com verdadeiro bom humor, saca a credibilidade que te faz 'abraçar' a interação entre os atores? Tanto o casal Wade e Vanessa, os diálogos afiados de Deadpool, Colossus e a mutante de nome complicado (Negasonic Teenage Warhead) e Wade e seu amigo Jack são divertidos e realmente cativam sem nada parecer forçado. Dá pra ver que todo mundo abraçou a ideia do filme. Na verdade, os melhores diálogos são entre os dois últimos, não só pela a sua aposta filha da puta de Jack na morte de seu amigo, mas sobre as relações ao abacate que transou com um abacate mais nojento (e com raiva). LOL

Dono de uma campanha de divulgação massiva e divertida em que Ryan participou efetivamente praticamente colando o (collant) traje de Deadpool ao seu corpo, eu vou ser sincero em te dizer que se você viu todos os trailers você riu das melhores piadas e viu as melhores cenas do filme. Só que o filme consegue ser tão, mas tão divertido, que mesmo entregando o jogo antes de começar ele não decepciona em nenhum momento. Não só por quebrar todos os paradigmas de seriedade empregados nos filmes de super-heróis ultimamente, logo diversificando ainda mais o gênero, mas assumindo uma característica cartunesca e carismática sem nenhuma vergonha de ser feliz. É só observar bem os olhos extremamente expressivos de Deadpool e os detalhes da 'armadura' de ferro de Colossus (Stefan Kapičićcom seu sotaque russo extremamente simpático - engraçado que o personagem que deu as caras em "O Confronto Final" e no "Dias de Um Futuro Esquecido" precisou aparecer fora dos X-Men para ganhar alguma importância. Bom, concorrer com Wolverine é foda também né? 

"Deadpool" tem tudo o que os fãs do mercenário tagarela esperam, com quebra da quarta parede e tudo e eu garanto, é impossível você não rir do começo até o final com tantas piadas por minuto. Só que também ele não se atém somente as piadas, mas é suficientemente leve e dinâmico para cobrir qualquer falha que ele possa ter. 

O longa corre o risco de não ser tão engraçado pra você (seu pedaço de carne carrancuda)? Sim, corre, pois nenhum tipo de humor é absoluto amigo. Mas o grande sucesso do longa que é direcionado pra maiores de 18 nos EUA e maiores de 16 aqui no Brasil é que ele mostrou o caminho a Fox de como tratar melhor seu cartel de heróis e calou a boca dos caras que defendem que a Marvel deve pedir todos os direitos cinematográficos de seus heróis de volta, o que discordo em partes, pois quanto mais pontos de vista melhor não é mesmo?! =D  

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

Voltando
Next Post »
Comentários
0 Comentários
0 Comentários