Resenha HQ: Guerra Civil Marvel


Numa edição de luxo caprichadíssima da Panini impressa em papel fotográfico, realçando ainda mais as belos traços e cores de Steve McNiven, e que ficou por muito tempo esgotada sendo relançada recentemente aqui no Brasil - naturalmente aproveitando o lançamento do filme que tem a estreia programada para abril. Guerra Civil é talvez a história mais épica da Marvel por colocar as duas maiores figuras dos Vingadores originais na pancadaria, os colocando frente-a frente por questões ideológicas e políticas por Mark Millar aproveitando bem a sensação de insegurança causada após os acontecimentos de 11 de setembro que mexeram com os Estados Unidos.

Mark parte da seguinte linha de pensamento: será que é possível confiar a esses mascarados dotados de super poderes a segurança nacional? Pense que, se eles existissem realmente, você acharia correto o governo poder se sentir na obrigação de regulamentar esses poderes? E tal qual um exército, os realocar à sua necessidade, sublimando assim o poder deles de ter discernimento do que é importante ou não, do que é certo ou não no momento crítico?

No universo da Marvel no cinema os acontecimentos em Sokovia no filme dos Vingadores: "Era de Ultron" são extremamente importantes para se entender a discordância dos heróis no cinema, mas na HQ a coisa é um pouco mais complexa, não só por termos uma caralhada de heróis (o que é impossível no universo do cinema pois os direitos de diversos personagens não estão presos a Marvel), mas porque os acontecimentos já se vinham se desdobrando a um tempo em diversas frentes; como o Hulk provocando uma destruição enorme em um confronto em Las Vegas ou o Wolverine ameaçando matar o presidente dos Estados Unidos e pendurar a sua cabeça num poste (essa última parte eu inventei LOL). Claramente a tensão era enorme, imagine você.

Buscando popularidade e reconhecimento um bando de adolescentes mimados grupo auto nomeado como Novos Guerreiros criaram um reality show à la Polícia 24hrs acompanhando o trabalho de caça aos vilões. Mas claramente esse show televisivo (patético) começa a feder quando eles descobrem o esconderijo de quatro fugitivos que são Impiedosa, Nitro, Speedfreak e Homem Cobalto. Namorita (filha de Namor, o equivalente ao Aquaman da DC) os segue e Nitro, como seu codinome diz, causa uma explosão gigantesca que mata cerca de 900 pessoas incluindo os Novos Guerreiros e crianças que residiam em Stamford.

Após os trágicos acontecimentos que causaram comoção nacional, Tony Stark está claramente sensibilizado e após a retaliação do povo para com ele e os Vingadores os culpando diretamente pelas mortes, Tony se vê em um dilema sobre salvar vidas, mas sobretudo como salvá-las corretamente provocando o mínimo de danos possíveis. Apresentado a um projeto do Governo Americano chamado Lei de Registro em que o alvo eram os super-heróis, buscando solucionar a questão de como controlar seres sobre humanos sem confiar em seu próprio discernimento evitando assim dores de cabeça como essas (as Meninas Super Poderosas tem uma sorte por estar em Townsville!). Bom, alguém precisava colocar regras!

É nesse mote que o projeto se apoiava, propondo a revelação das identidades e um treinamento adequado em troca de que eles poderiam continuar fazendo o que fazem, mas com uma diferença, herói a partir de agora seria uma profissão assalariada como qualquer outra e o Governo poderia lhes dizer o que poderiam fazer e não poderiam.

Tony Stark/Homem de Ferro fica desse lado e personagens como Reed Richards/Homem Elástico e Hank Pym/Homem-Formiga também, com a opinião de que essa regulamentação seria benéfica em seu objetivo final que é salvar vidas. Mas como em qualquer democracia há aqueles que discordem e veem isso como um tipo de afronta governamental pois assuntos como salvar vidas e muito menos dizer-lhes o que é melhor não lhes dizem respeito, e desta opinião compartilham Steve Rodgers/Capitão América, Matt Murdock/Demolidor, Sue Storm/Mulher Invisível e o inseparável amigo Sam Wilson/Falcão.

Infelizmente os direitos do Quarteto Fantástico pertencem a FOX pois seria bem interessante ver o casamento de Sue e Richard rachado por essa lei, mas falando em burocracia, o personagem fundamental para dar ao leitor uma visão própria personificada numa história que os dois lados tendem a terem a sua razão é o Homem-Aranha, e quem leu a HQ entende muito bem a importância dele para a história e porque a Marvel se esforçou tanto em trazê-lo para seu universo cinematográfico.

Peter Parker é o herói que mais se assemelha a nós, leitores. Um jovem nerd do subúrbio cheio de dívidas que perdeu os seus pais em um trágico acidente e seu tio pela violência urbana, e tendo somente sua idosa tia como o único alicerce familiar, ele trampa em um emprego tedioso com um chefe chato na cola mas suficiente para pagar suas contas de modo suado, e claro, no meio tempo ama platonicamente uma garota que ele conhece desde os tempos do colégio. Esse jovem de repente ganha super-poderes de aranha e se vê capaz de salvar a cidade e o mundo, me diga se você não ficaria confuso com tudo isso? Então imagine se você afetado por essa lei se visse no meio dessa guerra dos maiores heróis que você conhece na terra (tô falando da Marvel e não da DC besta)?

Os diversos dilemas do Aranha na história não só personificam o leitor também envolto em dilemas, mas as decisões tomadas por ele agem como um filtro, nos ajudando a entender melhor os prós e contras de cada um dos dois lados, em seus pensamentos e sentimentos, tendendo ora pra um lado ora pro outro, assim como ele. Trabalhado como coadjuvante, o Aranha se sai bem em nos exemplificar como pessoas são pessoas e que não é o heroísmo que faz os ter maior razão, heróis como Tony Stark personificam bem isso claramente manipulando o Aranha para alcançar seus objetivos.

Não vou falar a merda que aconteceu pra acontecer a esperada mudança de lado do Aranha na história, até porque julgo que o que todos estão esperando é como a abordagem do filme será ao tratar disso, além da decisão final para cessar a guerra e quem vai morrer (se morrer) - o que é um benefício direto da palavra "adaptação", já que as diferenças entre a HQ e o cinema são gritantes apesar de terem o mesmo direcionamento que beneficiam diretamente a nós, que temos a HQ, a novel lançada ano passado e o filme.

Bom, não escondo a ninguém que eu e este blog são #teamcap desde sempre e odiei o final da HQ, mas eu passei a respeitar ainda mais o Capitão América depois da maior Guerra de todos os tempos. Não estamos mais em 1940 como Stark alerta, mas as condutas são as mesmas. =)

PS: Foi anunciado o lançamento da HQ Guerra Civil II que colocará frente a frente Homem de Ferro e Carol Danvers/Capitã Marvel em uma pegada mais envolta em ficção científica. Aguardemos!

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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