Resenha Série: The Flash (2ª Temporada)

quinta-feira, maio 26, 2016


Quem acompanha as resenhas que faço das temporadas de "The Walking Dead" sabe bem que critico constantemente o formato da série narrada em 16 episódios por perceber que ela poderia ser melhor trabalhada se ela tivesse de 10 a 12 episódios na temporada, pois percebo que as séries que utilizam desse formato, como "Vikings", "Orphan Black" e "Game of Thrones", acabam por ter um andamento de roteiro mais conciso e objetivo não dando vazão assim a aqueles episódios que só servem para enrolar o espectador pra próxima semana, o que são qualidades que carecem fortemente na grande maioria das series da televisão aberta norte-americana.

No entanto, algumas delas se destacam e aquelas que se destacam são justamente aquelas que se utilizam do artifício do puro entretenimento, como "The Flash", que na primeira temporada abraçou firme o cerne divertido do personagem das páginas das HQs ganhando elogios por aí a fora. Isso continua aqui, mas ao contrário da primeira temporada em que nos longos 23 episódios tivemos uma constância trabalhada muito bem entre os "vilões da semana" e o vilão Flash Reverso, nessa segunda temporada (que costumamos chamar também de "hora da verdade") o herói escarlate tropeçou feio nas provações e escolhas que o herói sempre passa entre a descoberta de seus poderes e o forçado amadurecimento que ele tem que passar, o que enlouquece tanto quanto.

Claro que tudo o que aconteceu nessa segunda temporada é muito para a cabeça de Barry Allen (Grant Gustin) e talvez ele realmente veja em Hunter Zolomon/Zoom seu espelho enlouquecido que ele mesmo reluta em acreditar - o que é perturbador pra qualquer herói (menos o Batman porque ele é o Batman), só que parece que a CW quis tanto adicionar algo dramático nessa segunda temporada que tomou decisões equivocadas pra dizer o mínimo. Além de desaparecer com a detetive Patty Spivot (Shantel Vansanten) (que foi uma das melhores adições dessa segunda temporada) revivendo o dramalhão mexicano entre Barry e Iris (Candice Patton) que já deu no saco, adicionou outro dramalhão entre Caitlin Snow <3 altos="" anielle="" baixos="" deram="" dios="" e="" eddy="" em="" epis="" fizeram="" garrick="" jay="" n="" nbsp="" nenhum="" o="" os="" p="" panabaker="" principalmente="" que="" s="" se="" sears="" sentido.="">
Se tivemos os melhores momentos nos episódios que mostraram a visita de Barry, Cisco (Carlos Valdes) e Wells (Tom Cavanagh) na Terra 2 (E13 e E14) e no próprio direcionamento natural da série que ampliou o leque revelando o tema do multiverso, outros episódios como "King Shark" (S02E15) trouxeram de volta o esquema de "vilão da semana" da primeira temporada em um momento em que não se fazia mais sentido prático, já que Zoom estava tocando o terror pela Terra 1. Aliás, "The Runaway Dinosaur" (S02E21) foi um episódio de tanta choradeira que pensei que ia transbordar água pela minha televisão transformando a Força da Aceleração em um tipo de Deus da física. Bom, como disse, todos os heróis tem que passar pelo seu momento de provação, mas deu pra notar que em diversos momentos o roteiro teve que estender isso por vários episódios por causa do formato de 23 episódios e isso é algo bem chato pra quem já viu coisas melhores... Se a Patty foi uma das melhores adições da temporada, o Wally West (Keiynan Lonsdale) é um adolescente típico.

A segunda parte da temporada aliás foi de muita choradeira e dramalhão, provocado pela introdução da mãe de Iris e Wally a trama e constantemente por Zoom e sua "mania" de ser o mais rápido (contradizendo o que Barry diz na abertura da série) e isso permaneceu até em sua season finale "The Race of His Life" (S02E23) em que Barry vê seu pai Henry (John Wesley Shipp) ser assassinado (a melhor decisão da temporada, pois ele voltou mais para atrapalhar do que pra ajudar), só que se fosse Barry choraria também pelo desfecho da temporada. Assistir um desfecho tão simples para um vilão que se mostrou tão ameaçador e inalcançável durante a temporada foi meio broxante, contudo, abriu infinitas possibilidades e vou explicar porque.

Após o desfecho e do momento mais fucking time da temporada em que foi ver o John Wesley Shipp como o verdadeiro Jay Garrick da Terra 3 vestido de Flash 25 anos depois, ao todos estarem em casa Barry confessa a Iris que "sente um vazio dentro dele que não dá pra preencher", então Barry chuta o balde, abandona sua família e volta no tempo segundos antes da sua primeira viagem no final da temporada anterior (lembra?) em que ele reluta em salvar a sua mãe porque essa decisão alteraria toda a linha do tempo, mas agora com a perda definitiva da sua família no tempo presente ele toma outra decisão.

Se você se lembra bem, Harrison Wells (o outro da primeira temporada, Eobard Thawne) cansou de dizer a Barry e a nós que uma mudança mínima do tempo pode afetar o passado, presente e futuro não só sua Terra mas em todo o multiverso e por consequência o Arrowverse, o que ele em benefício próprio cuidava tanto em seu interesse próprio e que é aquele futuro que Barry e Iris eram casados. Mas agora tudo isso se foi, e isso amigo, a exceção do Flash ter se tornado o Flash, desfaz completamente o que conhecíamos até agora, quem viveu, quem morreu, e o que Barry acabou de salvar das mãos do Zoom nesse mesmo episódio.

Logo de cara questionamos se essa decisão do Barry em passar uma borracha em tudo o que aconteceu foi uma tremenda cagada, afinal, Doc já alertava a Marty McFly as consequências cataclísmicas da mudança do tempo e a gente colocou isso como regra absoluta naquele livro nosso que tem um capítulo sobre o dia Z e o apocalipse da SkyNet. Mas essa virada de mesa de Barry Allen que se baseou claramente no universo da DC nas HQs, é uma chance de ouro nas mãos dos roteiristas Greg Berlanti e Andrew Kinsberg em consertar não só as cagadas que eles fizeram durante a segunda temporada, mas podendo alterar todo o Arrowverse que conhecemos fazendo Oliver Queen nesse novo futuro ser quem? Um economista? Sem contar que agora com a adição recente da Supergirl a esse universo da CW poderíamos ter sim uma aproximação bem maior entre os dois heróis sem necessidade de portais, que no crossover entre os dois foi utilizado desse artifício.

O Flash Reverso? Poderia voltar. E a Nevasca, o Reverb e a Canário Negro? Também. O Wally West como Kid Flash correndo por aí? O próprio Zoom. E a Iris? Patty Spivot? Até a Felicity Smoak pode morar em Central City! São milhões de possibilidades nas mãos e isso por si só é um gancho e tanto para a terceira temporada, e como disse, isso pode ser uma chance de ouro ou pode ser uma cagada tremenda causada por Barry Allen que agora em um tempo que tem seus pais vivos, pode se tornar um Flash menos "cagão" e menos "Flash e seus amigos" que com a adição da Terra 2 ao roteiro deu a impressão de que estar assistindo. 

Postado por André Prado
Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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