Resenha Livro: Kenobi (John Jackson Miller)


É consenso que entre o III e o IV filme da franquia de Star Wars há um buraco gigantesco na história. Enquanto na "Vingança dos Sith" temos Anakin Skywalker se rendendo finalmente ao lado negro da força e o desenrolar dramático de Obi-Wan Kenobi por ver seu pupilo se deixar seduzir por Palpatine e o temor da morte que sempre o cercou (sua mãe e agora Padmé), em "Uma Nova Esperança" temos um Luke Skywalker crescido e encontrando um Obi-Wan já envelhecido contando sobre as lembranças de sei pai, o que o motivou a ser um Jedi também. O resto a gente já sabe. =)

Em contrapartida, tais vácuos em vários pontos da história de Star Wars são justamente o que a gente conhece como charme, isto é, o que desperta nossa imaginação ao imaginarmos o que pode ter acontecido com A e com B. Claro que o dinheiro é objetivo e consequência, mas a Disney sabe que comprou uma propriedade valiosa e com uma mitologia absurdamente rica, e tais perguntas que nós fizemos pela nossa curiosidade e imaginação, são justamente as que devem serem respondidas pouco a pouco e esta é a função principal do universo expandido. Star Wars nunca é demais.

Animações, quadrinhos e livros, inúmeros livros. Diria que um dos principais desse universo seja "Kenobi" de John Jackson Miller pois cobre talvez o buraco mais sentido de um dos personagens mais queridos. E quando saí do cinema depois de assistir a "Rogue One" já tinha em mente o que precisava fazer: ler "Kenobi", fechando as principais lacunas entre as duas trilogias.

Não há muito segredo, o livro se trata sobre o que aconteceu a Obi-Wan Kenobi depois dos acontecimentos traumáticos que houveram após "A Vingança dos Sith". Graças a seu pupilo, agora a República se transformou no Império e ele como último Jedi viu-se obrigado a se isolar com uma missão: proteger o filho de Anakin, Luke Skywalker. Portanto, ele viaja para o desértico planeta de Tattoine para dar a criança aos tios de Anakin, os vigiando, ao mesmo tempo em que mantém a esperança de dias melhores. No entanto, todos seus esforços para se esconder se vão completamente quando o "Ben Maluco" (como passou a ser conhecido), se vê envolvido numa luta entre os habitantes de um oásis esquecido no deserto e os Tuskens, ou o "povo da areia".

Com poucos personagens, sendo Ben, Anileen, Orrin e A-Yark como principais, a história se desenrola harmoniosamente pelo deserto de dois sóis de Tattoine (imaginado por George Lucas assim propositalmente) se transformando em um belo faroeste com um fundo de ficção cientifica, afinal, Kenobi é aquele pistoleiro recém-chegado a cidade que esconde um passado misterioso, ao mesmo tempo em que tem consciência da sua responsabilidade do seu poder de fogo.

Trazendo todos os elementos que fazem de Star Wars ser Star Wars: uma história altamente identificável a nós. Star Wars aliás se notabiliza por isso e por isso seu sucesso é tão grande com as pessoas que o assistem. Um exemplo aqui? Enquanto Tatooine é sede desse faroeste, os Tuskens são os índios e o povo do oásis são os selvagens que desconhecem a lei, com medo do desconhecido e seduzidos pelo dinheiro.

"Kenobi" foi o primeiro livro lido da minha remessa comprada recentemente e dentre tantas opções, foi uma compra certeira. Muito bem escrito pelo autor, desde 2005, de diversos contos e livros desse universo expandido, ler "Kenobi" foi delicioso e é tão acessível a qualquer um com suas mais de 500 páginas e seu faroeste. Foi como visualizar mais um spin-off de Star Wars na tela grande, um sonho que talvez um dia vire realidade de acordo com essa notícia aqui.

Ah, como sempre é um prazer a voltar a aquele mundo!


Acorda Disney!

Estudante de publicidade, formado em nerdices em geral, pós graduado em Netflix, e phD em piadas idiotas. Gasto dinheiro em comida e com livros que não tenho tempo pra ler.

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